Enochiano

MAGIA ENOCHIANA

 

“E vi dois rios de fogo, e a luz do fogo brilhava como o Jacinto, e cai sobre meu rosto ante o Senhor dos Espíritos.
O Anjo Michael, um dos chefes dos anjos, tomou-me da mão direita e me levantou, e levou-me onde estão todos os segredos, e ensinou-me todo os segredos da misericórdia e me ensinou todos os segredos da justiça, e  ele ensinou-me todos os segredos dos extremos do céu e todos os depósitos das estrelas e todas as luzes, por onde nascem em presença dos Santos”.
Livro de Enoch Cap. LXXI.

 

As pessoas começaram a se interessar pela Magia enochiana em 1922, quando Aleister Crowley publicou The Equinox, ainda que a informação fosse escassa e desorganizada. A seguinte referência ao Enochiano disponível ao público, foi o livro A Golden Dawn de Israel Regardie. Esta foi a primeira vez que pessoas alheias a Ordem, tiveram acesso a uma introdução do sistema enochiano da Ordem Hermética da Aurora Dourada. Apesar de ser um trabalho importante, se encontra de alguma forma, incompleto.

Ninguém possui a certeza de onde nem quando este sistema se originou. Alguns especulam que teve início com os Mistérios Egípcios, e outros dizem que começou antes, com os Adeptos da Atlântida.

Além disso, o mundo moderno colou-se em contato outra vez com este método graças aos esforços do Dr. John Dee e o Sr. Edward Kelly em 8 de março de 1581. Entidades angélicas supostamente contataram com Kelly através de um cristal, enquanto que Dee registrava os resultados em seu diário.

A vasta quantidade de material colecionada por Dee e Kelly indica que eles transcreveram uma nova linguagem completa com sua própria gramatica e sintaxes. Os ocultistas chamaram a este idioma de: Enochiano porque o anjo que o ditou, chamado Ave, diz que entregou originalmente a informação das Tábuas de Enoch.

O idioma angélico constitui uma verdadeira linguagem, com suas sintaxes e gramatica próprias, de maneira que pode ser traduzido e adaptado aos idiomas modernos.

O Enochiano representa um absoluto mistério para os estudiosos das línguas, pois seus carácteres e linguagem conformam um autêntico idioma que pode ser traduzido. Ainda assim, não existem referencias até hoje que este idioma tenha sido alguma vez utilizado ou falado por homem algum na história da humanidade.

Até hoje, pouco ou nada se sabe sobre a real origem deste sistema, sua linguagem, seus símbolos e Tábuas, chamadas invocações, que geram seu estudo, investigação e prática. De fato, no que diz respeito ao essencialmente tradicional da Ordem, pouco se informava acerca de sua origem e apenas encontramos uma referência histórica na Cerimônia do Grau de Adeptus Minor, onde se diz que Christian Rosenkreutz e seus homens mais próximos, transcreveram algumas coisas da Linguagem Mágica, as Tábuas Elementais, por volta de 1400 D.C.
Geralmente, se considera o princípio deste sistema no final do Século XVI, mediante o mediunismo cerimonial de Edward Kelly e o desempenho como escritor e organizador do Dr. John Dee.

Depois da morte de Dee em 1608, as primeiras publicações de alguns de seus diários apareceram. Foram publicadas por Meric Casaubon em 1659. Estes diários se mantêm na Biblioteca Britânica (Cotton Appendiz XLVI partes Um e Dois) sob o título de A True and Faithful Relation of What Passed for Many Years Between Dr. Dee and Some Spirits. Elias Ashmole em 1671, foi o seguinte personagem notável a estudar os diários de Dee e tentar formular certa classe de sistema mágico a partir destes escritos. Logo depois da morte de Ashmole, a maioria de seus escritos foram guardados em um cofre de madeira antes de que fossem literalmente desenterrados e enviados ao Museu Britânico. Uma parte encontrada entre os manuscritos do Dr. Thomas Rudd (1583 – 1656), foi aparentemente adquirida pelo filho de Dee.

Apesar de estarem incompletos, os escritos de Rudd completaram alguns furos dos manuscritos originais de Dee, especialmente As Sete Selagens da Tábua Sagrada (Harley 6482, Museu Britânico).

Os escritos originais em forma de diários do Dr. John Dee, os quais resumem o desenvolvimento do sistema Enochiano, constituem um conjunto de documentação denominados Sloane 3189-3199, os quais se encontram no Museu Britânico. Mas de fato, ao examinar dita documentação, notamos que estes escritos rudimentares são apenas uma base e que guardam uma distância apreciável com o que se conformou como Sistema de uso da Ordem.

Alguns membros da Ordem, ao investigar através de diferentes sistemas, afirmaram que Dee e Kelly tiveram de algum modo acesso a construção do Sistema Enochiano quando estiveram na Europa Central. Se diz que tinham numerosos centros Rosacruzes na Alemanha, Áustria e Bohemia, e que Dee e Kelly foram recebidos neles. Esta pode ser uma teoria possível, mas não dispõe da objetividade necessária para tal afirmação.

Na realidade não importa qual é sua origem, o Sistema Enochiano representa a realidade dos planos internos. Seu valor é inestimável, e só pode ser apreciado em toda sua extensão quando alguém se aplica a seu estudo e prática.

Para muitos, este sistema é de domínio do plano Elemental, ou seja, que só gravita no plano astral. A realidade é que há indícios para afirmar que se estende aos planos superiores da natureza espiritual e divina, mas de qualquer maneira, aqui o conceito mágico dos elementos difere do que se conhece pelas filosofias ocultas.

O Sistema de Magia Enochiana de John Dee pode ser classificado nas seguintes categorias principais:

-Sigillum dei Aemeth. O Selo Sagrado.

-Tábua Sancta. A Sagrada Tábua das doze tribos, as quais foram concebidas por Dee e Kelly. Esta contém sete talismãs diferentes e inclui escritos em enochiano.

Liber Scientia Auxilii et Victoria Terrestris. O Livro da Ciência, da Ajuda e da Victoria. Este trabalho contém os nomes dos governadores dos Trinta Aethyrs, ou Ars.
-Heptarquia Mystica. Este trabalho contém os nomes, sigilos e invocações aos Anjos e espíritos menores dos planetas.

-Tábua de Nalvage. Esta é uma Tábua rodeada por letras colocadas em fileiras e colunas.

-Liber Loagaeth. Ao redor de algumas centenas de fólios enigmáticos. Estes compreendem os quatro Atalaias de Fogo, Ar, Água e terra. Os nomes dos governadores dos Trinta Aethyrs são encontrados nestas Tábuas.

-As quatro Tábuas Elementais.

-Chaves Angelicae. As quarenta e oito chamadas, ou chaves. É justo dizer que estas são meramente o começo de um muito intricado sistema que ainda não foi totalmente explorado.

A linguagem foi dada em uma longa Tábua, de 49 quadrados de uma polegada, que constituíram as quatro Tábuas de Atalaias e a Tábua da União. As 48 chamadas Enochianas foram derivadas do uso destas longas Tábuas.

Dee e Kelly tiveram a sua disposição um sistema altamente sofisticado de magia que aparentemente nenhum dos dois compreendeu em sua totalidade. Permaneceu como apenas mais uma coleção de mensagens canalizadas em uma linguagem arcaica, documentado em uma serie de obscuros manuscritos, até que MacGregor Mathers os descobriu no Museu Britânico. Ele introduziu a Magia Enochiana no sistema da Golden Dawn, e pela primeira vez se converteu em algo mais que uma teoria e especulação. Esta vasta coleção de material, converteu-se na joia que coroou o trabalho da Ordem.

 

 

Magia enochiana na Golden Dawn.

Dentro da Ordem Hermética da Aurora Dourada, os escritos de Dee foram fortemente modificados até tornarem-se um completo sistema de magia. Este sistema inclui rituais cerimoniais assim como projeções astrais. Também inclui um tabuleiro de Xadrez de quatro mãos tendo a adivinhação como um subsistema. As bases para o Sistema Enochiano da Golden Dawn foram as quatro Atalaias que foram subdivididas nas Quatro Tábuas elementais e em uma menor, chamada a Tábua da União, que está associada com o quinto elemento Espirito. Dentro da Ordem Interna da Golden Dawn, no grau de Adeptus Minor Zelator, os adeptos são introduzidos em outra parte do sistema enochiano que tem a ver com os quatro Reis Elementais, cujos nomes derivam das letras que compõem o Selo Sagrado Dei Aemeth, o selo principal usado por Dee e Kelly durante suas sessões de adivinhação com o cristal.

Na realidade, o Sistema de Magia Enochiana, não é exatamente um tema de estudo e desenvolvimento da Ordem Externa, senão, que configura a base sistemática do desenvolvimento da Segunda Ordem, a R.R. et A.C., ainda que o sistema e desenvolvimento temático da Primeira Ordem configure uma preparação por demais ampla para ascender ao trabalho, estudo e pratica da Magia Enochiana.

De fato, o Sistema Enochiano consiste em parte, de uma amalgama sintética e coerente de todo o trabalho da primeira ordem, portanto é necessário e imperativo que antes de poder ascender a Magia Enochiana, o estudante esteja familiarizado com todos os temas de estudos da Golden Dawn. Deve reconhecer e ter perfeitamente incorporado as atribuições e correspondências do Método Geomântico, do Tarô, da Astrologia, Tattwas, etc. de maneira que tenha constantemente presente, e de forma natural e sem esforço, os nomes, símbolos ideias e alegorias que a estes métodos dizem respeito. Além disso, deverá ter um manejo profundo do Alfabeto Hebraico, de sua correspondência, da Temurah, o Notariqon e a Gematria, assim como o desenvolvimento dos sistemas, métodos e temas surgidos da pratica e do estudo da Árvore da Vida e Qabalah em geral.

Por outro lado, é de requerimento necessário e imprescindível ter estudado e aprofundado o que diz respeito aos chamados Documentos Z, que são em si, um desenvolvimento brilhante acerca do simbolismo tanto interno como externo das Cerimonias da Primeira Ordem, em especial a do Grau de Neófito, a qual se considera a base fundamental de todo o sistema Cerimonial da Golden Dawn; isto inclui o que diz respeito ao estudo dos simbolismos e as alegorias do candidato, do Templo, das Armas, dos objetos cerimoniais, etc.

O Estudante deverá estar perfeitamente familiarizado com todas as posturas, cerimônias, consagrações, e usos próprios de nossa ordem para um desenvolvimento da Consciência e a Memória Magica.

Uma Nota do Documento sobre o Concurso de Forças escritos por o M.`. H.`. Frater D.D.C.F. diz: “As Tábuas Enochianas requerem, em verdade, muitos anos de estudo e pagará com acréscimo tal gasto de tempo e energia”

Muitos querem começar com o estudo do Sistema enochiano diretamente, pois é surpreendente e atraente, mas devemos informar que pode resultar altamente nocivo para ser abordado logo na entrada, de fato, como anteriormente detalhamos, é preciso muito tempo de estudo e prática de outros sistemas para poder ter a quantidade necessária de instrução e penetrar no mundo Enochiano. Se requer uma carga de prudência e cautela para penetrar neste sistema, pois trata-se de um método muito poderoso que, se colocado em uso de maneira descuidada e indiscriminada leva ao desastre e a consequente desintegração espiritual, como em muitos casos já ocorridos.

Se insiste sempre em que primeiro se deve estudar os temas teóricos até poder chegar a ter um conhecimento adequado que permita ascender ao complicado mundo das conexões e correspondências que derivam deste sistema.
Um tema especial é compreender e saber pronunciar os caráteres da escrita da Linguagem angélica secreta, como denominado Enochiano, nos rituais do grau da Ordem externa.

Se diz que os caráteres Enochianos não são de caráter simples, mas que são em realidade sigilos com uma ampla gama de referências acerca de sigilos geomânticos, planetários, elementais e astrológicos. Além disso, devemos entender que se corresponde cada caractere Enochiano com um caractere Romano.

Os estudantes da Golden Dawn são expostos às Tábuas da Atalaia nos Rituais Iniciáticos de cada um dos Graus, a Tábua da Terra no Grau de Zelator, a Tábua de Ar no grau de Theoricus, a Tábua da Água no grau de Practicus, e a Tábua de Fogo no grau de Philosophus. Eles memorizam certos fundamentos do sistema, mas em realidade nenhum ritual enochiano é feito na Ordem Externa. O mesmo Regardie adverte contra aproximar-se de um trabalho avançado sem um fundamento sólido. Além disso, deve agregar-se que é de máxima importância que o estudante se encontre equilibrado emocional, mental e fisicamente antes de realizar qualquer trabalho mágico. Quando a pessoa alcança o grau 5=6 começa o trabalho da Ordem Interna, onde o estudo, a investigação, e os rituais Enochianos se convertem nos objetivos principais.

O Material enochiano publicado por Regardie consiste nas quatro Tábuas das Atalaias, a Tábua da União, as chamadas Angélicas e o Xadrez Enochiano. Na realidade este é o princípio e a introdução ao sistema. Devemos lembrar que quando Regardie publicou seus quatro tomos de “The Golden Dawn” em 1950, tinha abandonado o Templo Hermes no grau de Adeptus Minor Zelator. O que está escrito em seu livro representa o curso de estudo nesse sub grau e não mais. O Mesmo Regardie se deu conta que não tinham lhe entregado o total conhecimento de várias divisões do sistema Enochiano da Golden Dawn, tais como o Sigillum Dei Aemeth, a Tábua Sancta, o Liber Scientia Auxilii et Victoria terrestres, a Heptarchia Mystica, a Tábua de Nalvage, as Quatro Tábuas elementais e o Liber Logaeth.

Estudar a teoria Enochiana é um interessante e fascinante processo, desafia o intelecto e expande a consciência do estudante meramente pela aplicação da mente. A verdadeira beleza do sistema, é sua eficácia no desenvolvimento e evolução do estudante em todos os níveis (físico, emocional, mental e espiritual) quando se pratica. Toda a magia é efetiva e causa estas mudanças, mas nenhuma se compara com a Magia Enochiana estudada com a adequada estabilidade e fundamento.

HEPTARCHIA MYSTICA

O Primeiro sistema de Magia dada a Dee foi a Heptarchia Mystica. Esta é a Magia Planetária Independente e moderadamente complexa, similar no estilo, mas não em conteúdos comparada a vários Grimórios Salomônicos da época.

Os documentos de sua apresentação podem ser encontrados no Misteriorum Libri Quinti de Dee; um Grimório de trabalho composto de extratos de Dee, desse documento, é conhecido como De Heptarchia Mystica.

A apresentação deste trabalho foi notavelmente sequencial e ordenada, comparada com as posteriores partes. O equipamento físico foi descrito em detalhes, seguido por uma hierarquia angélica de 49 anjos bons e demais informação concernente aos Reis e Príncipes das hierarquias e seus respetivos ministros. A maior parte da informação foi dada durante 1582; correções importantes com respeito ao equipamento foram dadas na primavera do ano seguinte, depois de uma pausa no trabalho e a apresentação do Liber Loagaeth.

 

 

A respeito do equipamento que se deveria utilizar na Magia Heptartica, os anjos dizem que o anel que eles designara

m para Dee era o mesmo que Salomão usou para controlar os demônios. Tinha uma banda plana, a qual era ligada a uma placa retangular. As letras PELE estavam inscritas nos quatro cantos. No centro tinha uma circunferência com uma linha horizontal que a atravessava, com a letra V encima e a letra L embaixo.

Dois lamens diferentes foram dados a Dee. O Primeiro destes mantinha uma semelhança genérica com vários sigilos goéticos, sendo uma variedade de linhas de formas livres e letras estranhamente localizadas. O Ser que as deu, indicou-lhe que deviam ser feitas em ouro e usadas em todo tempo e lugar com proposito de proteção. Ao ano seguinte se diz a Dee e Kelly que o lamen foi dado por um espirito enganador.

Se deu a eles uma Tábua de 12×7 formada com nos nomes dos reis e Príncipes Heptarchicos; o novo lamen consistiu de um completo de letras tomadas desta Tábua e colocada em forma retilínea. Diferentemente do primeiro lamen, o proposito do segundo foi somente dignificar o Mago, mostrando-lhe seu mérito para operar a Magia Heptartica.

A Tábua Sagrada ou Tábua de Covenant foi a peça central da Magia Heptarquica. Seu propósito foi o de ser um instrumento de reconciliação; isto se refere aos meios pelos quais o poder que simboliza são portados junto com o Mago. Como sucedeu com o Lamen, posteriormente se diz que a versão original desta Tábua era incorreta, e um novo desenho foi previsto.

A Tábua devia ser de um quadrado de dois côvados de comprimento por dois côvados de altura (aprox. em 33 e 44 polegadas ou aprox. entre 83 e 93cm). Os pés descansam sobre taças invertidas, abaixo das quais eram colocadas pequenas copias do Sigil Dei Aemeth. Tinha uma borda de uma polegada, na qual se desenhavam certas letras, 21 de cada lado.

Dentro da borda foi desenhado um Hexagrama e no centro do hexagrama um quadrado de seis polegadas dividido em uma grade de 3×4, contendo mais letras. Na parte superior da Tábua eram colocados sete Talismãs Planetários, chamados “As insígnias da Criação”. No centro, uma versão maior do Sigil dei Aemeth. Quando se usava a Tábua, o Sigil e os Talismãs deviam ser cobertos por uma toalha vermelha. A bola de cristal se colocava encima da toalha, diretamente sobre o sigil. As Letras ao redor da borda da Tábua e na grade central, eram tomadas da mesma Tábua de 12×7 usadas para a formação do Lamen. A intenção disto era dignificar a Tábua, para consagrá-la ao trabalho Heptarchico, da mesma maneira que o Lamen dignificava ao mago. Muitos Magos assumiram que a Tábua Sagrada é também, necessária em operações relacionadas com as chamadas e Tábuas dadas a Dee e Kelly em 1584. É certo que eles tinham feito uso da Tábua para operações nas quais obtiveram o material antes mencionado. De qualquer forma, a Tábua está claramente desenhada para ser usada com os poderes heptarticos, parece pouco provável que tivesse sido adequada para a natureza quase-elemental dos poderes das Tábuas.

Existe uma peça faltante na Magia Heptarquica. Em várias partes da documentação de Dee se faz referência ao Grande Globo, aparentemente um diagrama de certa classe, que não se encontra entre os manuscritos publicados até a data. A partir do contexto, parece que poderia ser uma variação da Tábua Bonorum, ou as sete Tábuas das quais o Bonorum foi feito.

Como Dee transcreve: “existem letras maiúsculas sob os nomes dos Reis e caráteres; e também há outras letras com números: … e por outra parte, algumas são adversas e outras favoráveis”.

Esta Tábua deveria ser usada na criação de talismãs para invocações de Anjos Heptárquicos. Um exemplo deste tipo de talismãs mostra o sigilo de um dos filhos da luz em seu centro, com o nome de um Rei Heptarquico em um círculo ao redor deste. Um círculo externo de letras invertidas e normais deste diagrama perdido forma a circunferência do talismã.

Na primavera, durante as sessões de 1583, os Anjos indicaram que uma sessão estava planejada e na qual instruções detalhadas seriam dadas para o uso da Magia Heptarquica. Se esta sessão se levou a cabo, não se sabe, não se encontra registrada nos manuscritos que ficaram, mas certa ideia técnica geral pode ser reunida dos comentários em outras partes do registro.

O Mago devia sentar-se frente a Tábua Sagrada, usando o anel e o lamen. A insígnia do Rei que está sendo invocada é colocada na Tábua diante do Mago. Deverá sustentar em uma mão o talismã do Rei Heptarquico apropriado, com um talismã dos Ministros do rei colocado sob seu pé. Logo o Mago deverá chamar ao Rei por meio de orações e suplicas, seguida por orações a seu Príncipe e inovações aos seis Ministros Maiores. Eles deveriam aparecer na Bola de Cristal, depois do que, o Mago lhes encarregava de realizarem a tarefa que ele desejasse.

INSÍGNIAS DA CRIAÇÃO

Imediatamente depois da apresentação do Sigil Dei Aemeth, os anjos proveram sete complexos talismãs chamados as “as insígnias das criação”.
Estes eram para serem gravados em pranchas de estanho, purificados e ordenados sobre a superfície da Tábua Sagrada, tanto como um contínuo anel ao redor do Sigil de Aemeth, como em uma coluna diretamente a frente do Mago.

Como alternativa a estas pranchas, os Anjos deram sua permissão para que pudessem ser pintadas diretamente sobre a Tábua.

Durante a Primavera nas correções de 1583, os Anjos especificaram que as leras sobre as insígnias deviam ser convertidas em Alfabeto Angélico, mas isto aparentemente nunca se fez.

Como aconteceu com a Tábua mesma, as insígnias foram utilizadas como instrumentos de conciliação entre o Mago e os poderes Heptárquicos. Cada insígnia foi associada com um Rei Heptárquico e logo com um Planeta especifico da semana.

Insígnia de Mercúrio

Insígnia de Vênus

Insígnia de Júpiter

Insígnia da Lua

Insígnia de Saturno

Insígnia do Sol

Insígnia de Marte

Bonorum Angelorym Heptarchicorum

 

Os 49 “Anjos Bons” são os primeiros poderes angélicos “dignos” apresentados neste sistema. Os listados no Sigilo Dei Aemeth se encontram aparentemente de alguma maneira sobre os mundos nos quais os homens moram, como estão as Insígnias. Tendo apresentado as Insígnias, o Arcanjo Michael introduz aos 49 Anjos dizendo:

“agora tocas o mundo e as obras sobre a terra. Agora te mostramos o mundo inferior: Os governadores que trabalham e regulam sob Deus”.

Foram mostradas a Dee e a Kelly as sete Tábuas de 7×7. Cada quadrado de cada Tábua continha uma letra e um número do 1 ao 49. Unindo as letras com o mesmo número em uma certa sequência, foram produzidos os nomes dos Anjos. A lista dos nomes, dividida em grupos de sete, foi chamada a Tábua Collecta.

Dee acomodou estes nomes em uma Tábua circular, chamada A Tábua Bonorum, dividindo os Anjos em grupos de sete, com um Rei e um Príncipe encabeçando o grupo.

Cada uma das sete Tábuas originais foi associada com um poder sobre um aspecto particular da existência, a isto se segue que cada nome angélico controla certa parte de cada um desses aspectos. Os poderes atribuídos a cada Tábua são:

1-Inteligência e Sabedoria.

2-A exaltação e governo dos Príncipes.

3-Predomício sobre o conselho e sobre a nobreza.

4-A ganância e o comércio da mercadoria. Isto foi alterado posteriormente para Água por Dee, por razões pouco claras.

5-As qualidades da Terra e da Água;

6-Conhecimento do Ar e daqueles que se movimentam nele.

7-O governo do Fogo.

Esta lista de poderes, aparece ao longo de pelo menos uma dimensão, a Magia Heptarquica não é de natureza completamente planetária. Os poderes estariam mais de acordo com a concepção de um mundo elemental quadruplo regulado por um espirito triplamente manifesto, como nas sete Sephiroth menores da Qabalah.

Dee assinalou retroativamente um atributo planetário a cada grupo de sete Anjos, baseado nas conexões entre os Reis e os dias da semana. Posteriormente, estudantes do tema incorporaram um sistema de atributos duais, baseados no fato de que o Príncipe de um dia determinado se encontra em um grupo diferente que o do Rei do dia.

Com respeito aos 49 anjos, aparece um vazio nos registros de aproximadamente seis meses: possivelmente não se realizaram operações neste período.

Elias Ashmole crê que Dee e Kelly tiveram algum desacordo sobre a continuidade do trabalho. Este ponto de vista pareceria razoável. O registro pré-hiato termina com Kelly expressando seu desacordo e sua descrença nos espíritos por sugerirem que ele tome ações que não estavam de acordo com sua natureza; O registro post-hiato começa com a seguinte nota: “Depois da reconciliação com Kelly”.

O material nesta parte é mais confuso que nas previas. O discurso dos Anjos é mais elaborado e impactante, os aspectos visuais se caracterizam por uma qualidade de mal gosto. Talvez a continua hostilidade de Kelly com os Anjos seja responsável por esta mudança.

Os poderes dos Príncipes são representados primeiro, seguidos por seus sigilos. Logo aparecem em sucessão os Reis Heptárchicos. Eles descrevem seus poderes e cada um representa a seus 42 Ministros. Os Ministros por sua vez apresentam seus nomes em duas formas: uma Tábua de seis colunas por seis fileiras, cada uma contendo uma letra, e um talismãs com seus nomes escritos na circunferência.

Os poderes atribuídos aos Reis parecem estar em maior harmonia com a natureza planetária que com aquela assinalada às letras individuais de seus nomes. Não obstante, há certas instancias onde os poderes parecem inapropriados ao Planeta assinalado, e outras onde o poder do Príncipe não está de acordo com o do Rei.

 Sol

O dia atribuído ao Sol é o Domingo.
O Rei do Sol é Bobogel, o Distribuidor da Sabedoria e da Ciência. Se lhe atribui os ensinamentos da Verdadeira Filosofia, o verdadeiro entendimento de toda aprendizagem nascida da Sabedoria. Revelador dos grandes Mistérios necessários para o advento da Glória de nosso Deus e o Criador.
Seu Príncipe é Borongo, o que altera a corrupção da Natureza até a Perfeição. O conhecedor dos metais.

 Lua

O dia atribuído a lua é a segunda-feira.
O Rei da Lua é Blvmaza, o Revelador dos Mistérios de Deus. Se lhe atribui a compreensão de todas as ciências passadas, presentes e futuras.
Seu Príncipe é Bralges, o que ensina os nomes sem número. Dá o conhecimento das criaturas encarregadas a ele. Dirige o ar e os espíritos invisíveis.

 Marte

O dia atribuído a marte é  terça-feira.
O Rei de Marte é Babalel, Rei das Poderosas e Maravilhosas Águas, cujo poder se encontra em suas profundidades.
Seu Príncipe é Befafes, Príncipe dos Mares. Quem mediu o movimento das águas e a salinidade dos mares. Traz o êxito nas batalhas marítimas. Distribui o Juízo Divino sobre as águas que cobrem a Terra e distribui os tesouros da desconhecida substancia do mar.

 Mercúrio

O dia atribuído a Mercúrio é a quarta-feira.
O Rei de Mercúrio é Bnaspol, a quem se entrega a terra com suas profundidades e segredos. Seu Príncipe é Blisdon, a quem se entregam as chaves dos mistérios da terra.

 Júpiter

O dia atribuído a Júpiter é a quinta-feira.
O Rei de Júpiter é Bynepor, o distribuidor e medidor da vida de todas as coisas.
Seu príncipe é Bvtmono, quem cria a vida e o hálito nas criaturas vivas. Todas as coisas vivem por ele, sua Glória e seu selo.

 Vênus

O dia atribuído a Vênus é a sexta-feira.
O Rei de Vênus é Baligon, que pode distribuir e outorgar a gosto tudo o que pode ser forjado em ações aéreas.
Seu Príncipe é Bagenol.

 Saturno

O dia atribuído a Saturno é o Sábado.
O Rei de Saturno é Bnaspen, que dissipa o poder de todos os espíritos maléficos. Nos permite conhecer os fatos e as práticas dos homens maus.
Seu príncipe é Brorges, que se mostra de uma maneira terrível com ardentes correntes flamígeras e diz: Eu conheço a porta da morte.

Os 42 Ministros assinalados a cada Rei estão divididos em seis grupos cujos sete membros tem nomes formados das mesmas letras. Cada grupo regula uma seção de quatro horas do dia, começando pela meia-noite.
O primeiro grupo está tipicamente representado como expressando uma forma mais pura do poder dos Reis que os cinco grupos restantes.

Como no caso do Lamen e da Tábua Sagrada, os nomes dos Ministros são derivados da Tábua dos 49 Anjos. Com os Ministros, um método diferente foi utilizado para extrair os nomes de cada grupo de Reis. Como antes, os nomes foram dados aos magos antes que o método de extração fosse explicado.

Sigillum Dei Aemeth

“Louvado seja Deus em todos seus Mistérios e Santificado em todo seu trabalho. Este é o Selo e não deve ser observado sem grande reverencia e devoção.
Oh Grande Selo de Verdade e Mistério,
que as correntes de poder que Tu simbolizas fluam em paz e harmonia
através das forças angélicas que Tu representas!”

O Sigillum Dei Aemeth é um grande disco gravado, sobre o qual há inscritos vários nomes de Deus e Anjos, dentro de um desenho de Heptágono e Heptagramas.
O Sigilo devia ser colocado no centro da Tábua Sagrada, sob a Bola de Cristal. Réplicas menores eram colocadas sob a taça, assim, como nos finais dos pés da mesa, aparentemente para isolar a mesa de influencias terrenas.

O Sigilo é a única parte do trabalho de Dee que tem uma correspondência direta com os sistemas mágicos mais antigos; aparecem versões no Liber Juratis e no Eodipus Aegyptus, entre outros tomos.

Dee foi inicialmente instruído a copiar o Selo de um livro em sua biblioteca, mas encontrou conflito entre as versões e não pode decidir entre elas. Quando perguntou aos Anjos, eles lhe deram o desenho para uma nova e mais detalhada versão.

Ainda que a maioria dos nomes do Sigilo não seja reconhecível imediatamente, quase a maioria deles deriva de dois grupos de famílias de nomes angélicos.
O primeiro grupo é formado pelos Anjos que Agrippa lista como “os Sete que se colocam na presença de Deus”. Os nomes de Deus fora do hexagrama no Sigilo, estão formados pela transposição das letras destes nomes, seguido por um método consistente e elaborado. O Segundo grupo pertence aos Arcanjos Planetários, cujos nomes são mostrados no centro do Sigilo. Estes são usados para formar os quatro grupos de sete nomes angélicos dentro do hexagrama, chamados os “Filhos da luz”, “Filhas da luz”, “Filhos dos Filhos” e “Filhas das Filhas”.

É interessante notar que os nomes derivados foram dados primeiro e logo foram mostrados os significados das derivações.

O Selo da Verdade

O anel exterior do Sigilo contém 40 pares de letras e números. Estes foram apresentados sequencialmente a Dee e a Kelly. Na maioria dos casos, a apresentação da letra foi precedida por uma frase em Latim começando com essa letra. Todas as letras juntas foram consideradas como o maior nome de Deus.

Os números somam 440. Michael completou a apresentação do anel exterior mostrando um número 1 rodeado de muitos círculos concêntricos. Ao agregar este número 1, chegamos a um total de 441 números apresentados, e 441 é a numeração da Palavra Aemeth de acordo a gemaria hebraica.

Sete das letras são maiúsculas, indicando as primeiras letras de certos nomes angélicos ocultos. Para encontrar os nomes destes anjos, se instruiu a Dee para utilizar os números conectados com cada uma das letras. Onde o número estava sob a letra, ele devia contar essa quantidade de letras no sentido dos ponteiros do relógio para encontrar a seguinte letra do nome, onde o número estava debaixo da letra, devia contar no sentido contrário aos ponteiros do relógio. Cada nome terminava quando chegava a uma das seis letras sem um número.

Assim foram decifrados os sete nomes:

         † Thaaoth
† Galaas
† Gethog
† Horlwn
† Innon
† Aaoth
† Galethog

É dito a Dee que separasse os primeiros “a” dos “duplos a” nos primeiros dois nomes, para produzir os nomes Thaot e Galas. Quando isto foi feito, os sete nomes compreendem quarenta letras, a mesma quantidade que as letras do anel exterior do Sigillum.
O Anjo Uriel diz destes sete nomes: “cada letra contendo um Anjo de Luz, compreendendo os sete poderes ocultos de Deus, conhecidos por ninguém mais exceto por ele mesmo; um laço suficiente para ligar a todas as criaturas a vida ou a morte, ou qualquer outra coisa contida neste mundo”

Não se faz nenhuma menção das letras restantes no anel externo que não são utilizadas para formar este nome.
Só o ultimo destes nomes aparece abertamente no sigilo, localizado nos arcos dentro do anel exterior.

Galas Gethog Thaoth Horlwn Innon Aaoth Galethog

Estes sigilos foram postos ao redor do Sigillum de Aemeth em sentido contrário aos ponteiros do relógio, um para cada arco. Uriel diz sobre estes sigilos: “Aquelas sete letras são os Sete Assentos do único e eterno Deus. Seus sete anjos secretos procedentes de cada letra e cruz assim formados, fazem alusão a essência do Pai na forma do Filho e ocultamente no Espirito Santo”.

As letras no heptágono externo, justo dentro dos arcos derivam dos nomes dos sete anjos que se colocam na presença de Deus, que estão listados nos Três Livros de Filosofia Oculta de Agrippa. Os nomes destes anjos estão escritos verticalmente em uma grade de sete por sete; no último quadrado se encontra uma cruz que representa a Terra.

 O Heptágono se completa lendo as grades horizontalmente da esquerda à direita, aplicando uma fileira a cada segmento do heptágono no sentido dos ponteiros do relógio. Seguindo o processo usual, os anjos apresentaram as letras das fileiras primeiro e só depois mostraram como estas formavam os nomes dos Anjos.

Os nomes angélicos e divinos restantes no Sigilo derivam todos, de várias maneiras, dos nomes dos Arcanjos Planetários tradicionais, os quais se encontram escritos dentro e ao redor do pentagrama central do Selo. Como sucede com a Tábua anterior, a derivação foi mostrada só depois de que os nomes foram dados. Isto serviu para demostrar que os anjos estavam trabalhando a partir de um conhecimento que não estava ao alcance de Dee e Kelly e, portanto, foram mais que um produto da imaginação dos magos.

Os nomes dos Arcanjos Planetários foram localizados em uma Tábua de sete por sete, e escritos diagonalmente a partir do canto superior esquerdo em uma ordem cabalística tradicional, começando com o Arcanjo de Saturno. O “L” final de cada nome foi substituído na Tábua por números, usualmente agregados a letra precedente.
Os sete nomes, entre o heptágono exterior e o heptagrama são “Nomes de Deus desconhecidos para os Anjos: que tampouco podem ser pronunciados ou lidos pelo homem”. Se derivam desta Tábua lendo as fileiras da esquerda à direita, e se colocam em sentido dos ponteiros do relógio do Sigilo; segundo os Anjos, a derivação que se mostra aqui é o contrário da verdade. Estes nomes de Deus, mais que produzir os Anjos Planetários “produzem sete anjos; sete Anjos e Governantes nos céus próximos a nós”. Assim o Selo, a partir de seu anel exterior até seu centro, representa um descenso do poder de Deus até o mundo.

Existem quatro graus adicionais de seres dentro do Sigilo, que se localizam entre estes Nomes de Deus e os Arcanjos Planetários. Ainda quando estão fora dos Arcanjos (e, portanto, são presumivelmente superior a eles) parecem ser de algum modo os filhos destes;

“Cada letra dos nomes dos Arcanjos, dá luz a sete filhas. Cada filha produz a sua filha, cada qual com sete. Cada filha dá luz a um filho. Cada filho em si mesmo é sete. Cada filho tem seu filho, e seu filho é sete”.

Os nomes destes grupos estão derivados da Tábua tomando as letras diagonalmente como se mostra no diagrama seguinte:

Verde:
Filias Bonitatis
As filhas da Luz

Branco:
Filii Lucis
Os Filhos da Luz

Amarelo
Filiae Filarum Lucis
As Filhas das Filhas da Luz

Violeta:
Fili Filorum Lucis
Os Filhos dos Filhos da Luz

Vários dos anjos nestes grupos (notavelmente Madimi, Ave e Llemese) lançaram dados importantes revelando a Magia Enochiana dois anos depois.

Finalmente, os nomes dos Sete Arcanjos Planetários se colocam dentro do heptágono mais interno. O Anjo de Saturno, Sabathiel, envolve ao pentagrama; o anjo da lua, Levanel, está completamente dentro do pentagrama central, envolvendo a cruz da Terra. Os nomes restantes se aplicam ao pentagrama em ordem cabalística, começando com o anjo Júpiter, Zedekiel, no ponto mais alto e seguindo logo em sentido dos ponteiros do relógio.

Liber Loagaeth

 

O Liber Loagaeth é a parte mais misteriosa do trabalho de Dee e Kelly. Também se o conhece como o Livro de Enoch e como o Liber Mysteriroum Sextus et Sanctus. Ninguém até o momento fez tentativas sérias de usá-lo, ou de poder entendê-lo além do que se encontra escrito nos diários. De acordo com os Anjos, “Loagaeth” significa “discurso de Deus”; se supõe que neste livro se encontram, literalmente as palavras pelas quais Deus criou todas as coisas.

Supostamente é a linguagem na qual os nomes verdadeiros de todas as coisas são conhecidos, outorgando poder sobre elas.

Foi descrito no Liber Mysteriorum Quintis que o libro se constituiria de 48 permissões, cada uma das quais contém uma grade de 49×49. O livro como na realidade se apresentou a Kelly é algo diferente.

Contém 49 “Chamadas” em uma desconhecida linguagem, 95 Tábuas de quadrados cheios de letras e números, 2 tábuas similares vazias e 4 Tábuas desenhadas mais largas que as demais. Duas “permissões” estão documentadas no Liber Mysteriorum Quintis, estas não estão inclusas no livro final e aparentemente servem como uma introdução ou prólogo para o trabalho.

À primeira vista, as Chamadas do Liber Loagaeth não parecem ser de uma linguagem, segundo os humanos entendem este termo. Não existem traduções pelas quais isto possa ser julgado em detalhe, mas o texto carece de repetições e a localização de palavras consistentes que é característico das 48 chamadas Enochianas dadas o ano seguinte.

Aparentemente não existe uma gramatica no texto. Donald Laycock diz que a linguagem é altamente aliteraria e repetitiva em rima, enquanto que Robert Turner os chama “xenoglossia”, falar em línguas.

Os Anjos disseram que cada elemento de cada Tábua poderia ser entendido de 49 formas diferentes, portanto existia essa quantidade de linguagem nele, todas estas sendo faladas em uníssono.

Se diz que o propósito do Loagaeth foi a introdução da Nova Era na Terra, a última era antes do fim das coisas. As instruções para usar-se com este objetivo nunca foram dadas; os Anjos continuamente se esquivaram deste tema, dizendo que só Deus poderia decidir quando seria o momento apropriado.

Durante a apresentação das duas permissões no Liber Mysteriroum Quintis, um Anjo na Bola de Cristal assinalaria as letras sucessivamente, e Kelly leria os nomes dos caracteres angélicos. Dee transcreveu uma versão utilizando o alfabeto romano, aparentemente com a intenção de redesenha-la em caráteres angélicos um tempo depois.

O documento indica que no começo de cada sessão uma luz sairia da Bola de Crystal até a Cabeça de Kelly, luz que foi vista por ambos. Uma vez que a luz entrava em Kelly, sua consciência se transformava de maneira que ele poderia compreender o texto enquanto lia.

Lhe foi ordenado firmemente que não aprovasse uma tradução, explicando-lhe que Deus selecionaria o tempo para sua revelação. Não obstante proveio traduções de algumas das palavras, mas insuficientes para poder deduzir o significado do texto totalmente.

Quando a luz se retirava de Kelly, ele imediatamente cessava de compreender o texto e se tornava incapaz de ver na bola de cristal. Em poucas ocasiões, a luz continuou nele por curto tempo depois do final da sessão, nestas ocasiões Dee notava que Kelly dizia muitas coisas maravilhosas sobre a natureza dos textos, as quais não foram documentadas. Mas no instante que a luz se ia, Kelly já não podia compreender ou lembrar o que tinha dito alguns momentos antes.

O documento diz que a vigésima terceira linha da primeira folha era um prefácio a criação e distinção dos Anjos, e a vigésima quarta linha um convite amistoso aos Anjos Bons. Nada mais se encontra documentado do propósito do Livro.

Rapidamente se tornou aparente que o método usado era muito lento. Os Anjos se encontravam como sob uma constrição temporal para poder apresentar o livro e concordaram que Kelly poderia ver o livro em qualquer momento. Ele iria documentar diretamente, no lugar de lê-lo para Dee. Durante esta última parte de seu trabalho, Kelly aparentemente não teve a compreensão profunda do significado do livro, somente uma percepção visual de suas letras.

A primeira folha mostrada a Dee e a Kelly continha o Alfabeto angélico disposto sobre a grade. Na segunda eram dados os nomes e as equivalências em inglês das letras e lhes é dito que as memorizem antes de continuar. Quando Dee não faz isto, e se queixa das outras demandas sobre seu tempo, os Anjos o repreenderam duramente.

O Texto das permissões foi desenhado nos caracteres deste alfabeto e também foram aplicados ao Lamen e a tábua Sagrada da Magia Heptarquica pelas instruções dos Anjos.

Muitos alegam que o Alfabeto angélico foi copiado de algum livro anterior a Dee e a Kelly. Layzock examinou todas as possibilidades, e mesmo tendo reconhecido similitudes de estilo e com alfabetos mágicos prévios, sua conclusão foi que nenhum deles eram o suficientemente parecido como para considerá-lo semelhante a algum anterior.

Tábua de Nalvage

A entidade angélica Nalvage apareceu pela primeira vez no cristal de Kelly em abril de 1584. A aparição de Nalvage foi um passo muito importante tanto para Kelly como para Dee, já que ele foi quem revelou as 48 ou 49 chamadas que logo derivaram em outro sistema de grande importância.

A primeira peça da magia angélica apresentada foi uma pequena tábua. Aparece sem nome no documento, mas com base de seu conteúdo, seria apropriado chamá-la a Tábua de Nalvage. Não se dá um uso especifico para esta Tábua, mas por seu tamanho e natureza descrita sugere que poderia ser um lamen para ser usado com o sistema magico que lhe antecedeu.

A tábua consiste em uma porção de 6×6 rodeada de quatro nomes de quatro letras cada um. Em cada esquina em sua parte interna contém as letras de “IAO”, uma palavra Angélica para denominar a Deus. A porção interna está dividida em quatro Tábuas de 3×3, chamadas “continentes” pelo o Anjo Nalvage, cada uma destas contém três palavras angélicas, escritas em forma diagonal que descrevem a natureza de cada seção. Lendo as linhas de cada seção em forma horizontal se dão os nomes de três grupos de Anjos.

CONTINENTE NOME MOTE CORO ANGÉLICO
Inquerida Superior Vida Superior Eu sou a alegria de Deus 1. Alegria
2.Presença
3. Louvação
Esquerda Inferior Vida, ou segunda Vida Eu sou a alegria de Deus, ou o Poder de Deus em movimento 1. Poder
2. Movimento
3. Serviço
Direta Superior Vida não dignificada agora que será dignificada O resultado da ação de Deus 1. Ação
2. Eventos
3. Estabelecimento
Direita Inferior Vida que também é morte A discrepância e lamentação de Deus 1. Lamentação
2. Discordância
3. Confusão

Zalewski muda os Coros entre os continentes esquerdo inferior e direito superior. Os motes para esses dois continentes sugerem uma conexão com as posições originais das Tábuas Elementais dentro da Grande Tábua; A Tábua de Fogo estava na esquerda inferior, a qual coincidia com Poder em Movimento. A Terra estava na Direita Superior, sendo a Terra tradicionalmente o reino onde os resultados finais ou eventos ocorrem. A conexão dos outros dois continentes é de alguma forma mais abstrata: o Ar na esquerda Superior é o elemento mais próximo ao céu na estrutura do mundo; a Água na direita inferior está conectada com a morte e a tristeza através dos Signos de Escorpião e Peixes.

Os quatro nomes que rodeiam a parte interior estão conectados com o aspecto divino do Filho. Estes nomes tem os mesmos significados que o Terceiro Coro de cada um dos continentes, ainda que seu deletreio não esteja relacionado. Com os quatro “i” nos cantos dos continentes, se forma um anel ao redor na parte exterior da Tábua.

Nalvage – diz esta Tábua que:

-Sua substancia é atribuída ao Deus o Pai.
-O Primeiro movimento circular, a circunferência, Deus o Filho, e o movimento de todas as coisas.
-O ordenar e unir os pontos das partes em sua devida e perfeita proporção, Deus o Espírito Santo. Está aqui o princípio e o fim das coisas.

A “Substancia” é usada aqui no sentido filosófico de “essência” é “algo considerado como se fosse o continuo todo”. A continuidade inquebrantável de Deus o Pai é expressa na dualidade do Filho, ou seja, o anel exterior da Tábua, e o Espírito Santo, os continentes interiores.

O arranjo dos continentes reflete as posições das Tábuas Elementais na Grande Tábua, na mesma forma que Binah contém as Sephiroth inferiores na Qabalah. Desta forma, esta Tábua pode representar a Tríade Suprema manifesta da qual os elementos manifestos da magia angélica emanaram.

Claves Angelicae

 

As chamadas ou Chaves Angélicas são uma série de invocações em uma linguagem desconhecida, que são chamadas “Angélicas” nos documentos de Dee. O idioma angélico ou enochiano, tem a aparência de uma verdadeira linguagem apesar de que os exemplos existentes são insuficientes para deduzir uma gramatica completa.

A linguagem é similar ao inglês na posição de objetos, verbos e sujeitos. Se diferencia do inglês na falta de artigos separados, possesivos e preposições.

Como regra geral, as palavras da linguagem não aparecem relacionadas com aquelas de qualquer outra linguagem conhecida, apesar de que existem semelhanças ocasionais, ainda superficiais. Por exemplo, em idioma angélico “christeos”, significa “que se faça”, versus o “christus” grego, em idioma angélico “babalon” significa “malvada ou prostituta, versus “Babylon”

Foram dadas dezenove chamadas a Dee e a Kelly. A última chamada tinha trinta variações, fazendo um total de 48 chamadas.

O Proposito das Chamadas é suficientemente descrito por Nalvage:

“É a mesma Arte que é entregue a ti como uma doutrina infalível, contendo nela as águas que correm através de muitos Portais: inclusive sobre o Portal da inocência, onde te é ensinado a descobrir a dignidade e corrupção da natureza: também a tomar parte nos julgamentos Secretos do Todo-poderoso para manifestarem-se e para serem postos em execução”;

“Eu estou, portanto, para instruir-te e informar-te, de acordo com a doutrina entregue, a qual está contida em 49 Tábuas. Em 49 vozes ou Chamadas: as quais são as chaves Naturais para abrir aquelas, não as 49 mas as 48 (porque uma não é para ser aberta) Portais do Entendimento, pelo meio do qual você obterá o conhecimento para mover cada Portal e para chamar tanto como queiras, ou será pensado necessariamente, o que pode muito bem honradamente e sabiamente abrir até vós os segredos de suas cidades e fazer-te compreender perfeitamente o conteúdo das Tábuas”

Alguns afirmam que os chamados Portais ou Portas, estão conectados com a ideia das Portas ou Portais do entendimento mencionados em alguns textos Yertziráticos. Quase certamente existe certa classe de relação entre as Chamadas e as Tábuas Elementais, mas sua exata relação ainda é material de profundo estudo.

A chamada 19, intitulada “Chamada dos Aethyrs” está explicitamente associada com os 30 Aethyrs do Liber Scientiae: este escrito claramente gera uma invocação para as 91 “Partes da Terra”. As Chamadas restantes, se assume que estão conectadas com as hierarquias das Tábuas Elementais, mas seus textos são demasiado poéticos e ambíguos para poder associá-las especificamente com certeza. Ao confirmar a correta sequencia destas chamadas, o Anjo Ilemese estabeleceu que cada Chamada tem sua própria Tábua, mas não estabelece quais são estas. Pela experimentação de vários Magos, parece estabelecer-se que a Primeira e Segunda chamadas definem de certa maneira os polos dentro dos quais as Chamadas restantes trabalham.

A primeira chamada produz genericamente uma manifestação do Espirito, um salto ou princípio geral até níveis superiores. O documento, mesmo que vagamente, parece indicar que é para ser usada quando se invocam os Reis Elementais e seus Ministros, os Senhores, possivelmente em combinação com as outras Chamadas.

A segunda chamada é a mais estranha, não parece definir um polo “material” como tal, senão que define uma estrutura ou forma conjunta até a qual os poderes do sistema podem ser vertidos e contidos.

A suposição mais comum dos magos posteriores, a qual não está universalmente aceita, foi que as Chamadas restantes se referem aos Ângulos Menores das Tábuas. O método da Golden Dawn de associação destas chamadas com as Tábuas e os Ângulos menores se converteu em um conceito aceito como padrão.

Uma forma alternativa de observar as Chamadas estabelece que são paralelas, mas separadas das Tábuas. Estas deveriam ser usadas por si mesmas, sem os nomes divinos das Tábuas. Efetivamente existe evidencia no texto das Chamadas de que representam uma espécie de história continua de um processo criativo, começando com Deus na Primeira Chamada e finalizando com o estabelecimento do Poder de Deus “no centro da Terra” na Chamada 18.

Estas Chamadas ou Chaves são apenas para serem usadas com muito cuidado e solenidade, especialmente se forem pronunciadas no idioma Angélico. Qualquer um que as profane utilizando-as com uma mente impura e sem o apropriado conhecimento de suas atribuições e aplicações, estará exposto a possibilidade de sofrer sérios danos físicos ou espirituais.