Alquimia

Alquimia Rosa-cruz e a Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn)

Por Jean-Pascal Ruggiu (atual Imperator do Templo Ahatöor No.7, Paris, França)
Copyright © 1996, Jean-Pascal Ruggiu. Todos os direitos reservados.

 

Muitas pessoas, quando pensam na Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn), imediatamente pensam em “Magia” ou “Magia (k)” (Magick). Eles se surpreenderiam em saber que a Golden Dawn não é e nunca foi uma Ordem mágica. Na verdade a Ordem Interna da Golden Dawn, a Ordo Rosae Rubeae et Aureae Crucis (R.R. et A.C.) , é aquela que desde o principio foi a depositária da tradição espiritual Rosacruz. Além disso, aquilo que hoje se popularizou como Magia ou Magia (k) é na verdade um desdobramento daquele aspecto da tradição Rosacruz mais conhecido como “Teurgia”.

Antes do surgimento da Ordem Interna, por detrás da Golden Dawn, a Teurgia nunca tinha sido o foco principal da tradição espiritual Rosacruz que, na verdade, se ocupava com a Alquimia. De fato, a tradição Rosacruz cresceu a partir da tradição Alquímica. O verdadeiro lugar da Teurgia dentro da tradição Rosacruz foi sempre como uma disciplina complementar da Alquimia.

A Alquimia foi parte do curriculum estudado pelos membros da Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn) mas, excepto por algumas definições muito concisas dadas nas “Knowledge lectures” sobre os vários termos usados na Alquimia, muito pouco foi verdadeiramente ensinado sobre Alquimia na Ordem Externa. Na Segunda Ordem, a da R.R. et A.C., há um curto estudo chamado “Alquimia” escrito em 1890 pelo Frater Sapere Aude (Dr. Wynn Wescott) e registrado como “Pergaminho Voador Nro. VII”. O único documento referente a alquimia pratica foi o documento Z.2 disponível para membros avançados da Ordem Interna. Este documento é muito valioso e extremamente interessante, de modo que o analisarei na segunda parte deste escrito.

No curriculum estudado pelos membros da antiga Golden Dawn, devemos incluir também todos os livros editados por Wynn Wescott em sua Collectanea Hermética porque foram considerados, de fato, como o verdadeiro curriculum para todos os membros dedicados da Ordem Externa. De fato, esta coleção de livros constituía uma muito valiosa fonte de informação sobre os rituais da Ordem Externa. Entre os tratados publicados na Collectanea Hermética havia vários sobre Alquimia, que eram os seguintes:

Vol I. Arcanum Hermético por Jean d´Espagnet com notas de Sapere Aude.

Vol III. Uma breve investigação sobre a Arte Hermética por “Um amante de Philaletes” com uma introdução a alquimia e notas por S.S.D.D (Florence Farr).

Vol IV. Aesch-Metzareph ou Fogo Purificador da Kabbalah de Rosenroth (traduzido por “Um amante de Philaletes – 1714 – com notas por S.A.).

Vol VII. Euphrates ou as Águas do leste por Eugenius Philalethes (Thomas Vaughan) com um comentário de S.S.D.D. (Florence Farr).

As notas e comentários do Frater S.A. e a Soror S.S.D.D. sobre estes tratados alquímicos refletem um profundo conhecimento do tema. Não devemos esquecer também que os membros da Golden Dawn podiam consultar a famosa “Biblioteca Hermética Wescott” fundada em 1891 para a conveniência de sua investigação esotérica. Esta Biblioteca Hermética continha vários livros muito poucos conhecidos sobre Alquimia (Em Latim, Alemão, Frances e Inglês) dos quais dou a lista completa:

 Abraham Eleazar: Uma antiga Obra Alquímica, traduzida ao Inglês por W.S. Hunter de um manuscrito alemão.

 Alquimia – 25 Tratados Alquímicos em Latim.

Alquimia – Um relato de alguns experimentos sobre mercúrio, prata e ouro em 1782 por J. Price (Oxford, 1782).

Alquimia – A ciência do espiritual e material por Sapere Aude (W. Wynn Westcott) – Londres, 1893.

Becher – Tripus Hermeticus Fatidicus (tres tratados sobre Alquimia) – 1689.

Borrichius – Hermetis Aegyptiourum et chemicorum sapientia (Hafniae, 1674).

Bourguet – Lettres philosophiques sur la formation des sels et des cristaux (Amsterdam, 1729).

Chambon – Traité des métaux et des minéraux (Paris, 1714).

Combachius – Sal Lumen et Spiritus Mundi Philosophici ou  Amanhecer do descobremento (Londres, 1651).

 Flamel, Nicolas – As figuras jeroglíficas de 1624 (editado por Wynn Westcott).

Geber – Seus tratados sobre Alquimia em Latim ilustrados (1682).

Hitchcock – Comentários sobre a Alquimia e os Alquimistas (Nova York, 1865).

Kendall – Um apêndice ao Alquimista ignorante.

Kirwan – Elementos da mineralogía (Londres, 1784).

Maier Michael – Arcana Arcanissima – Cantilene Intellectuales de Phoenice redivivo – Scrutinum Chymicum (1687) – Symbolica Aureae Mensae (1617).

Museum Hermeticum (21 tratados alquímicos).

Paracelsus – Compendio (1567).

Philalethes Eirénée – Kern der Alchemie (Leipzig, 1685).

Philalethes Eugenius – Lumen de Lumine ou uma Nova Luz Mágica e o Segundo Lavado (Londres, 1651).

Resenkreutz Christian – Chymische Hochzeit (Strasburg, 1616).

Salmon Gillaume – Dictionaire Hermetique (Paris, 1695).

Salmon – Poligráficos (contem artigos valiosos sobre Alquimia).

Stuart de Chevalier – Discours philosophiques sur les 3 Principes Alchimiques (París, 1781).

Valentine Basile – O Carro Triunfante do Antimônio.

Como ilustra esta lista o Dr. Wescott estava profundamente interessado em Alquimia, de fato, um exame do seu Mapa dos céus mostra vários graus simbólicos egípcios conectados com a Alquimia e a Medicina. Os membros da Ordem podiam também ler de maneira proveitosa todos os artigos escritos pelo erudito Arthur E. Waite (Frater Sacrementum Regis) sobre alquimia, por exemplo.

“O que é a Alquimia?” (no Unknown World Review – 1894)

“Thomas Vaughan e seu Lumen de Lumine” (uma introdução à edição de Lumen de Lumine ou uma nova luz mágica por Thomas Vaughan – 1910).

“Um Apocalipsis Hermético” (em Occult Review, Vol 17, 1913).

“Alquimia Cabalística” (em Journal of the Alchemical Society, Vol 2, 1914).

Todos estes artigos foram editados novamente por R.A. Gilbert em seu livro “Escritos Herméticos de A.E. Waite, os escritos desconhecidos de um místico moderno” (Roots of the Golden Dawn Series, Aquarian Press 1987). Mas Waite escreveu vários estudos interessantes sobre alquimia:

Vidas de Filósofos Alquimistas (1888).

A Tradição Secreta na Alquimia (1926).

Raymond Lully (1922).

Waite editou e traduziu também vários tratados alquímicos clássicos:

Os Escritos Mágicos de Thomas Vaughan (1888).

Um Léxico de Alquimia ou Dicionário Alquímico por Martinus Rulandus.

O Museu Hermético Restaurado e Aumentado (1893)

Um Dourado e Bendito Cofre de Maravilhas da Natureza por Benedictus Figulus.

O Carro Triunfal do Antimônio por Basilio Valentinus (1893)

Coletânea Química (1893)

Os Escritos Alquímicos de Edward Kelly (1893)

Os Escritos Herméticos e Alquímicos de Paracelsus (1894)

Turba Philosophorum, ou Asamblea de los Sabios (1896)

As Obras de Thomas Vaughan (1919)

Entre os membros da Golden Dawn, Wescott e Waite não eram os únicos interessados em Alquimia; também estava Mathers, Florence Farr, William Alexander Ayton, Frederick Leigh Gardner, Dr. Felkin, Dr. Bullock, Allan Bennett y Julian Baker. Entre eles, sabe-se que Wescott, Ayton, Felkin, Bennet e Baker podiam praticar a alquimia porque possuíam o conhecimento necessário devido a suas profissões dado que eram químicos ou médicos.

A Tradição Alquímica Secreta da Golden Dawn

Foi, de fato, uma tradição secreta dentro da Golden Dawn e ainda hoje sobrevive esta tradição secreta? Posso testemunhar que a tradição alquímica da Golden Dawn existiu e ainda esta viva porque tive o privilegio de recebê-la como Imperator do Templo Ahathoor. Explicarei como foi transmitida na França onde possuímos uma forte tradição alquímica, mas antes é útil explicar as origens da Alquimia da Golden Dawn.

As Raízes da Tradição Alquímica da Golden Dawn

Qual é a origem da tradição alquímica da Golden Dawn? Curiosamente a resposta a esta pergunta está relacionada aos mistérios das origens da Ordem. De fato, a parte principal da tradição alquímica da Golden Daw vem do assim chamado “Templo Hermanubis No2” fundado por Kenneth MacKenzie e Frederid Hockley. De acordo com a investigação de A.E. Waite, MacKenzie e Hockley foram os autores dos famosos Manuscritos Cifrados e esta tese parece ser confirmada por vários acadêmicos modernos e membros atuais da Golden Dawn, dentre eles R.A. Gilbert.

A minha própria investigação histórica deste tema valida as conclusões; apesar dos reclamos de Wescott sobre a assim chamada transmissão Woodford dos Manuscritos Cifrados, ele provavelmente recebeu os manuscritos da Sra. Alexandrina MacKenzie após a Morte do seu marido (a sra. MacKenzie estava de fato entre os primeiros iniciados recebidos na Golden Dawn e sob o significativo mote de Cryptonyma).

Frederick Hockley parece ter sido a fonte principal do conhecimento alquímico transmitido aos primeiros membros da Golden Dawn. Entre os milhares de livros que possuía em sua biblioteca privada haviam muitos tratados antigos alquímicos, mas o seu conhecimento pratico sobre alquimia certamente veio de Segismundo Bacstro. É bem sabido que Hockley possuía o diário alquímico e o certificado de admissão do Dr. Segismundo Bacstom a Societas Rosae+Crucis pelo Conde Louis Chazal nas Ilhas Mauricius a 12 de setembro de 1794. Hoclkey fez várias copias deste documento sob o titulo de Um diário de um Filosofo Rosacruz, que ele publicou da Síria, O Rosacruz (Hockley pertenhecia a SRIA). O Dr. Percy Bullock (que foi um dos primeiros membros da Golden Dawn) comprou uma copia deste documento depois da morte de Hockley e mostrou-o a A.E. Waite.

É altamente significativo que Bullock estava mais interessado no processo alquímico da Pedra dos Filósofos, descrito no diário de Bacstrom que por seu Certificado Rosacruz  mas Waite estava mais interessado, como historiador, no certificado. De fato, este certificado prova que uma genuína transmissão Rosacruz ainda existia no final do século XVIII em domínio francês (nas Ilhas Mauritius). Em uma carta escrita a Alexander Tilloch datada de 16 de março de 1804 Bacstrom explica que Louis de Chazal foi iniciado em uma Loja Rosacruz em 1740, possivelmente pelo famoso Conde de Saint- Germain em pessoa.

De acordo com as regras tradicionais da Rosa+Cruz, o Conde de Chazal deu instruções completas sobre a Grande Obra a Segismundo Bacstrom porque era sua tarefa formar ao menos um aprendiz antes do fim de sua vida (ele contava 97 anos quando fez isso).

É interessante notar que o Dr. Bacstrom também teve vários alunos (por exemplo, um certo Dr. Ford) quando estava vivendo no distrito londrino de Mary-le-Bone no ano 1805. Curiosamente, foi também em Mary-le-Bone que Francis Barret estava vivendo nessa mesma época. Barret escreveu um famoso livro sobre Magia titulado “O Mago” ou “A inteligência Celeste” e reivindicou também ser Frater Rosae Crucis. Em 1801 fundou uma Academía de Magia em Mary-le-Bone composta por não mais que 12 alunos. Hockley conhecia  Barret através do seu amigo John Denley o qual foi um livreiro especializado em livros de ocultismo ( Hockley trabalhou para Denley e esteve envolvido na copia de vários manuscritos ocultistas para a venda) de acordo com Hockley, Denley contribuiu com muita informação a Barrett para o seu livro, “O Mago”.

É interessante também ressaltar que foi no local de trabalho de Denley que Lord Bulwer-Lytton declarou ter conhecido o misterioso Irmão da Rosa+Cruz que lhe deu os manuscritos cifrados que usou para escrever sua famosa novela “Zanoni”. A novela Rosacruz de Lytton é bastante autobiográfica; por exemplo, quando Glyndon pergunta a Zanoni (seu Mestre Rosacruz) por que queria ensinar-lhe os mistérios da Alquimia, Zandoni responde que ele sabia que um dos ancestrais de Glyndon havia pertencido a Fraternidade e, portanto, de acordo as regras da Irmandade  era sua tarefa instruí-lo. De fato, esta historia é a do próprio Bulwer-Lytton porque um de seus ancestrais, John Bulwer, foi um alquimista no século XVI e supostamente pertenceu a Irmandade da Rosa Cruz..

Agora, retornando ao Dr. Bacstrom, somos informados em uma carta, escrita por  Hocley e dirigida Irwin, que Bacstrom perseguiu a Grande Obra até o fim da sua vida mas morreu muito pobre.Concluímos então que, provavelmente, ele não teve sucesso em obter a Pedra dos Filósofos de acordo as instruções que recebeu do Conde Louis de Chazal e que transcreveu em seu Ensayo sobre Alquimia (reimpresso sob o titulo da Antologia Alquímica de Bacstrom pela Kessinger Publishing Company). Também deve se observar que a via alquímica seguida por de Chazal e Bacstrom foi uma Via de Antimônio. Uma informação bastante valiosa sobre o processo de Bacstrom é dada pelo famoso alquimista francês Fulcanelli em seu livro “Les Demeures Philosophales”. Fulcanelli escreveu que este processo não foi realmente Alquimia, senão “Arquimia”, isto é, um tipo de processo particular obtido da exaltação do ouro. Fulcanelli deu uma informação estranha sobre Bacstrom e Hockley, escreveu que: “Entre os arquimistas, que usaram ou exaltaram o ouro, com a ajuda de exitosas formulas, citaremos (…) Yardley, inventor inglês de um processo transmitido ao Sr. Garden, um fabricante de luvas Londrino, em 1716, logo comunicado pelo Sr. F. Hocley ao Dr. Segismundo Bacstrom (quem estava afiliado à Sociedade Hermética fundada pelo Adepto de Chazal, que estava vivendo na Ilha Mauritania no oceano Indico durante a Revolução Francesa). Este processo foi o objeto de uma carta de Bacstrom ao Sr. L. Sand em 1804”.

Assim, se a informação de Fulcanelli é correta, Hockley transmitiu também um processo alquímico a Bacstrom. Então, não é impossível que Hockley fosse igualmente um alquimista praticante. De qualquer modo, se Bacstrom morreu muito pobre este não foi o caso de Hocley. Quando morreu deixou uma grande fortuna: mais de 3500 libras (uma quantia bastante substancial em 1885). É certo que Hockley foi um contador e bastante rico, mas não é impossível que obtivesse uma parte de sua fortuna mediante os seus trabalhos alquímicos. Se não obteve a verdadeira Pedra dos Filósofos (morreu muito doente com a idade de 77 anos), pode ter tido sucesso em obter ouro por um processo Arquímico particular. Parece que Bacstrom recebeu só a comunicação de um processo alquímico particular do Conde de Chazal, mas não a verdadeira Pedra dos Filósofos.

De acordo com a uma carta que Bacstrom escreveu a Alexander Tilloch sabemos que o Conde de Chazal “havia obtido a Lapis Philosophorum e a Pierre Animale (Pedra Animal). Pela primeira adquiriu o que possuía e pela segunda preservou sua idade até a idade de 97”.

Esta informação é muito valiosa e comprova que o Conde de Chazal estava realmente iniciado na genuína irmandade da Rosa+Cruz, porque existe somente poucas pessoas que sabem o que é a Pedra Animal. De fato, a comunicação do segredo da Pedra Animal só é dada aos membros pertencentes ao Colégio Interno (ou Ordem Interna) da genuína e antiga Aureae Rosae+Crucis e ainda constitui o principal segredo da “alquimia interior”. De acordo com os documentos que estão em minha posse, esta fraternidade foi fundada em 1580 na Alemanha e foi reorganizada em 1666 e 1777 sob o nome de Orden Masónica da Gold und Rosenkreutz Orden. É interessante notar que o processo de se fazer a Pedra Animal descrito no corpus operativo alquímico da Societas Rosae+Crucis Inglesa do Dr. Bacstrom é muito similar a da Alemanha Fraternitas Aureae+Crucis. De fato, o Dr. Bacstrom estava em contato com irmãos alemães das lojas Douradas Rosacruzes e traduziu para o inglês vários documentos secretos escritos pelos Irmãos e Irmãs alemães, tais como Mathadanus, Anton Kircheweger, Dorotea Wallachin, etc.

Na França, uma loja Rosacruz da Aureae Crucis Fraternitatis foi fundada em 1624. A Tradição Hermética sobreviveu principalmente devido as Lojas Iluministas Maçônicas Francesas durante o século XVII e a “Franco Maçonaria Egípcia” durante o século XIX.

De fato, a Franco Maçonaria Egípcia (que foi fundada por Cagliostro) foi proeminente nos desenvolvimentos da Alquimia no século XIX. Por exemplo, sabemos que Fulcanelli manteve relações com a família De Lesseps que, por sua vez, estava envolvida na construção do Canal de Suez no Egito. Ferdinand de Lesseps pertenceu aos altos graus da Franco Maçonaria Egípcia e também a uma muito secreta Sociedade Egípcia. Além disso, sabemos que Fulcanelli foi amigo próximo de Dujols, um livreiro parisiense que estava profundamente envolvido no estudo da Alquimia e Hermetismo. Dujols estava associado com Albertic Thomas quem era um astrólogo e chefe de uma Loja  Maçônica Egípcia de Paris, chamada O Arco-íris.

De acordo a Volguine (um astrólogo francês que escreveu a vários anos atrás um artigo extremadamente interessante sobre “Astrologia e Sociedades Secretas”) Albertic Tgomas estava em contato com certos membros do Templo Ahatoor Nr 7 (fundado por MacGregor Mathers em Paris em 1894); Albertic Thomas foi efetivamente um amigo próximo do Frater Eli Star (Eugene Jacob), um famoso astrólogo francês e também Hierofante do Templo Ahathoor… É também importante destacar que certos rituais dos altos graus do Rito Maçônico Egípcio de Memphis são muito similares àqueles da Aurora Dourada (por exemplo, os nomes dos oficiantes são os mesmos).

Mas esses rituais são mais antigos que os da Aurora Dourada! Assim, eles podem ser a fonte principal dos rituais cifrados da Aurora Dourada. De qualquer maneira isso poderia explicar porque Hockley e MacKenzie estavam fascinados por Cagliostro, fundador da Maçonaria Egípcia, e porque o consideravam como seu chefe Espiritual na Irmandade de Fratres Lucis que fundaram juntos na Inglaterra. De acordo as reivindicações de MacKenzie e Hockley, eles foram iniciados no Fratres Lucis na França, em Paris, possivelmente por Eliphas Levi a quem se presume foi membro desta irmandade.

De fato, a, originalmente, Fratres Lucis ou “Irmandade da Luz” foi fundada na Alemanha pelo Baron  Ecker Von Eckhoffen, um ex membro da Rosa+Cruz Dourada e também fundador da Irmandade Asiática. Todas essas fraternidades alemãs estavam profundamente envolvidas na prática da alquimia. Minhas investigações históricas destes temas provaram que vários membros pertencentes à Irmandade Asiática ou a Frater Lucis foram membros de uma loja maçônica alemã chamada L´ Aurore Naissante (ou “A Aurora Nascente”) fundada em Frankfurt-on-Main em 1907. Wescott escreveu que esta loja era uma “muito antiga loja Rosacruz de Frankfurt-on-Main onde Lord Bulwer Lytton foi recebido no Adeptado”. É verdade que Bulwer Lytton foi a Alemanha para uma longa visita durante os anos 1841-1843 (sua novela “Zanoni” foi inicialmente publicada em 1842), assim faz sentido que ele  possa ter sido iniciado na Loja da Aurora Nascente, que ainda existia naquela época.

Mas antes deste evento, Lytton também esteve na Itália, em Nápoles, durante os anos 1833-1834, onde recebeu algumas instruções de ocultismo provavelmente do príncipe São Severo, quem era mentor da Rosa+Cruz Dourada.

Tanto Bulwer Lytton como Kenneth MacKenzie conheciam bastante bem o mago francês Eliphas Levi que era um alquimista pratico. Justo antes de sua segunda visita a Inglaterra em 1861, Eliphas Levi realizou alguns experimentos alquímicos com um de seus discípulos, Dr. Fernand Rozier (1839-1922), quem logo se tornou amigo do famoso Papus. Ademais, um dos amigos próximos de Eliphas Levi foi Louis Lucas, um alquimista importante e autor de uma novela titulada Roman Alchimique. Eliphas Levi afirmava conhecer o segredo da transmutação. “Eu possuo”, afirma ele em uma carta, “alguns manuscritos muito curiosos sobre a arte hermética e tenho um conhecimento profundo dos mistérios desta ciência. Eu vi a produção do fogo secreto, vi como dois espermas metálicos são formados, o branco se assemelha ao mercúrio e o vermelho é como um aceite viscoso similar ao enxofre derretido. Eu sei o que pode fazer-e com o ouro, mas creia-me quando digo que nunca o farei”. Entre os curiosos manuscritos sobre a arte hermética aos que Levi se referia, o mais importante parece ter sido o Aesch Mezareph que publicou como um apêndice ao seu libro “La Clef des Grands Mysteres” (“The Key of a Great Mysteries” que foi logo traduzido por A.E. Waite). O Dr, Wescitt também publicou o Aesch Mezareph de acordo com uma antiga tradução inglesa (datada em 1714) da versão latina de Rosenroth.

Então não de todo impossível que Eliphas Levi conhecesse o Aesch Mezareph dos Adeptos Ingleses, mas escreveu que descobriu este texto oculto em uma igreja. Deve se destacado também que Eliphas Lévi visitou Londres novamente em 1861, justamente depois de sua iniciação na Franco Maçonaria, na companhia do seu pupilo e protetor, o Conde Alexander Braszynsjy, um alquimista praticante que tinha seu laboratório no castelo de Bearegard em Villeneuve-Saint-Georges, a casa de Mme de Balzac. O Conde Braszynsky foi, como Levi, amigo de Lord Bulwer Lytton, e os dois homens foram a seu castelo, Kenwbwoth, em Hertforshire. Foi também no mesmo ano de 1861 em que Kenneth MacKenzie visitou a Eliphas Levi em Paris. Alexander Ayton, o alquimista da Golden Dawm, diz para W.B. Yeats que conseguiu fazer um elixir da vida que mostrou a um “alquimista francês” provavelmente Eliphas Lévi quando visitou Inglaterra em 1861.

Agora, a relação entre todos esses homens se aclara sabendo que pertenciam ao Colégio Interno da Rosa+Cruz, que sempre esteve dedicado ao estudo e pratica da Alquimia, a ciência mais oculta. De fato, de acordo a tradição da F.A.R+C (Fères Ainçes da Rose+Croiz ou Antiga Irmandade da Rosacruz), e uma muito secreta Ordem ainda existente na Franca. Lord Bulwer Lytton foi escolhido em 1849 como o 51º Imperator de sua Ordem, até 1865; o 52º foi Alphonse Louis Constant (Eliphas Lévi) de 1865 até 1874; o 53º Imperator foi William Wyn Wescott (1874-1892), o 54º Imperator foi Samuel Liddell MacGregor Mathers (1892-1898), logo Rudolf Steiner (1898-1900). Um documento interno sobre a historia da Ordem, Legend of F.A.R+C, poderia explicar a relação entre os Adeptos Ingleses e Franceses. De fato, a fraternidade foi criada em 1316 logo após a perseguição dos Cavaleiros Templários por Felipe o Belo, rei de França. Vários Cavaleiros Templários escaparam da Inglaterra, para a Escócia. Um deles, o barão Guido de Montanor, que foi iniciado no oriente médio nos mistérios de Alquimia, instruiu a Gaston de la Pierre Phoebus nesta Arte. Ambos decidiram fundar uma nova Ordem, A Irmandade da Antiga Rosacruz, e regressar a França com outros 25 Cavaleiros Templários sob a proteção secreta do Papa Jõao XXII, que naquel momento estava residindo no sul de Francia, em Avignon.

Assim, se Wescott e Mathers foram realmente escolhidos Imperatores de F.A.R+C, podemos compreender melhor por que MacGregor Mathers considerava que seus “Mestres Secretos” moravam em Paris, se deve destacar que o misterioso alquimista francês Fulcanelli estava vivendo ali durante esse tempo e teve vários conhecidos entre os ocultistas franceses próximos a Papus (Dr. Gerard Encausse) quem também foi iniciado no Templo Ahathoor no sábado 23 de Março de 1895. De qualquer maneira, Mathers não pode ignorar que era de linhagem escocesa e que o Clan Macgregor se originou no Condado Argylle, perto da ilha de Mull onde os Cavaleiros Templários Franceses se refugiaram. De acordo com as afirmações de Mathes, um de seus mestres era um Adepto Escocês vivendo em Paris, Frater Ex Lux Septentriones.

A Subevivência da Tradição Alquímica da Golden Dawn

Após o cisma de 1903, parece que uma grande parte da tradição alquímica da Golden Dawn sobreviveu tanto na Stella matutina como no Alpha Omega. Alquimia da Stella Matutina e os contatos do Dr. Felkin com o ocultista alemão Rudolf Steiner, que mantinha contato com um antigo ramo da Rosa+Cruz Alemã (Os Illuminati) e Imperator da F.A.R+C. foram muito frutíferos. Parece que Steiener ensinou a Felkin varias praticas alquímicas espirituais (por exemplo, o desenvolvimento do Ritual do Pilar do Meio e a Introdução ao ritual da Rosa Cruz, que eram praticas da Stella Matutina). O famoso documento Z.2 sobre Alquimia foi por certo escrito por Felkin, e não por Mathers. Vale lembrar que os Rituais da R.R. et A.C. não foram criados inteiramente por Macgregor Mathers, mas foi inspirado por aqueles da Rosa+Cruz Alemã, os quais , estou bastante seguro, receberam  por transmissão regular. De fato, tenho a prova: os padrões dos cetros da Golden Dawn foram inspirados no Cetro de Moises descrito em um documento alemão antigo e secreto da Rosa Cruz Dourada (datado em 1514), uma copia do qual está em minha posse e que recebi do colégio interno daquela Ordem. É bastante interessante notar que este documento contém fortes influencias cabalísticas judaicas polacas, e especialmente aqueles provenientes da escola de Shabbathai Zévi, que se autoproclamou em 1666 o Messias esperado por todos os judeus. Esta data (1666) é muito interessante uma vez que porque está de acordo com o ciclo solar de 111 anos. De fato, a Rosa+Cruz Alemã estava relacionada com este ciclo de 111 anos, por exemplo, foi em 1777 que esta Ordem foi reformada com uma nova escala de graus, que também foi adotada pela S.R.I.A. e a Golden Dawn foi fundada 111 anos depois, em 1888. Agora, o documento da Rosa+Cruz Dourada a que me referi antes contem também vários rituais que encontramos novamente na Golden Dawn (por exemplo varias versões em latim e em hebraico do Ritual da Cruz Cabalística e o Ritual do Pilar do Meio). Assim, este documento constitui a prova de que os rituais mágicos da Golden Dawn são de fato os desenvolvidos de aqueles da Rosa Cruz Dourada Alemã, mas como esses rituais ainda são muito secretos é também a prova de que a Golden Dawn recebeu uma transmissão Rosacruz Alemã genuína.

Agora voltando à tradição alquímica da Stella Matutina, parece esta bem preservada na Nova Zelândia onde Felkin foi viver. Pat Zalewski, chefe do Templo Thoth-Hermes em Wellington escreveu-me e deu-me uma informação muito interessante sobre seus trabalhos alquímicos; ressaltou em sua carta que ele considerava necessária a pratica da alquimia na R.R. et A.C. Porém, escreveu que a real pratica da alquimia era revelada a membros avançados da Ordem interna. Também foi o caso na Ordem Rosacruz do Alpha Omega onde a pratica da alquimia era revelada somente aos Adeptus Exemptus.

Alquimia do Alpha Omega

Em Inglaterra, a tradição alquímica da Golden Dawn estava bem preservada na Ordem Rosacruz do Alpha Omega, especialmente através da ação do Frater Animo Et Fide (Edward Langford Garstin), Chanceler do Templo AO de Londres. Garstin recebeu de Moina Mathers vários tratados alquímicos muito valiosos que seu casal valorizava muito, especialmente o Mysterium Magnum de Jacob Boehme e Aurea Catena Homeri (1722) de Kirchweger. Macgregor Mathers também valorizava muito o Splendor Solis de Salomin Trismsin porque este tratado incluía 22 gravuras coloridas que Mathes correlacionava com os 22 caminhos da Árvore da Vida. Mas há outro tratado alquímico deste tipo que Garstin conhecia muito bem. Le Livre des 22 Feuillets Hermétiques (O Livro das 22 folhas Herméticas) de Kerdanek de Pornic que descreve os 22 arcanos herméticos, um número lembrado nos 22 arcanos maiores do Taro. É possível que tenha sido MacGregor Mathes que descobriu este pequeno livro francês na França, que Garstin recebeu de Moina. Este pequeno livro, que está em meu poder, é muito valioso porque é uma clara descrição dos 22 passos da Grande Obra incluído vários desenhos de laboratório. Estranhamente, a via alquímica que é descrita no Livro das 22 Folhas Herméticas é uma Via Antimonial muito similar a de Bacstrom.

Langford Garstin escreveu dois ensaios não publicados sobre alquimia: Alquimia e Astrologia, e Um Glossário de Termos Alquímicos. Também publicou outros dois livros intitulados Teurgia (1930) e Fogo Secreto (1932). Como Inglês, Gastin estava naturalmente mais interessado nos trabalhos de alquimistas anteriores na Grã Bretanha, como Vaughan, Philalethes, Norton, Ripley, John Dee e Kelley. De fato, Garstin não estava realmente relacionado com a alquimia operativa, senão que praticava “alquimia espiritual” (acho que grande parte desta alquimia foi dada ao B.O.T.A. mediante os templos americanos do Alpha Omega).

Edward Garstin foi também secretario da Quest Society a qual também pertenceu Gerard Heym, um dos seus melhores amigos. Gerard Heym era um alquimista francês que às vezes vivia em Londres. Foi amigo próximo de S.L. MacGregor Mathers e Moina Bergson-Mathers. Porém, nunca foi iniciado no Templo Ahathöor porque o seu nome não aparece no velho Livro de Minutas de nosso Templo, mas Gerard Heym foi um membro fundador da Sociedade para o Estudos da Alquimia e a Química Temprana e de sua famosa publicação, Ambix. Também foi membro da Sociedade Literária Francesa chamada Les Amants da Licorne (Os Amantes do Unicórnio) e estava profundamente trabalhando com o estudo do simbolismo alquímico. Esta sociedade foi fundada por Claude d`Ygé que publicou uma Anthologie da Poésie Hermétique. Esta sociedade literária francesa ainda sobrevive em Paris sob o nome de L´Orbe de la Licorne, da qual eu sou membro.

Em sua introdução a tradução francesa da novela de Gustav Meyrinch, Le Dominicain Blanc, Gerard Heym mostra seu conhecimento da teoria da Alquimia Taoista. É possível que pertencesse ao F.A.R+C, porque sua Irmandade Rosacruz francesa é a única na Europa relacionada com a sobrevivência da Alquimia Chinesa e praticar o Caminho do “Dragão Vermelho”.

Tanto Gerard Heym como Lagsford Gastin foram amigos de Archibald Crockren, que foi o mais notável alquimista britânico deste século. Crockren foi um genuíno adepto que morou em Londres nos anos 30 e parece ter sido um membro do Alpha Omega. Escreveu Alquimia Redescoberta e Restaurada (1940). Ithell Coqhoun escreveu que quando Garstin visitou o seu assombroso Laboratório, Crockren mostrou-lhe “o Ovo dos Filósofos”, um recipiente de vidro que continha camadas sobre camadas nas cores tradicionais do preto, cinza, branco e amarelo. Em cima tinha florescido um modelo similar a uma flor, um modelo ordenado com pétalas ao redor do centro, todo de uma cor laranja escarlate. Mantendo sua matéria base durante um longo tempo em um calor suave e constante Cokrne tinha logrado que crescesse; tinha ramos como os de uma árvore.

É notável que a descrição de Garstin desta flor filosofal é bastante similar a da Flor Vermelha descrita no Livro das 22 folhas herméticas; de fato, Cockren seguiu a via do “Chumbo dos Sábios”. Seguiu instruções que também achou nos escritos de Sir George Ripley- provavelmente no Bosom Book- que fornece um meio de preparação da pedra dos filósofos. De acordo com Garstin, Cockren sempre usou um “Pentagrama aberto” durante seus experimentos alquímicos, o que prova que seguiu as instruções dadas nos Rituais Alquímicos Z.2 da Golden Dawn.

Archibald Cockren preparou óleos extraídos de metais, e especialmente óleo de ouro, o mais poderoso para curar enfermidades. Curou a Sra. Maiya Tranchell-Hayes (Soror Ex Fide Fotis, Imperatrix de um Templo Alpha Omega) de uma desestabilização nervosa dando-lhe três gotas de óleo de prata. Cockren também salvou a vida de Gerard Heym no começo da Segunda Guerra Mundial, dando-lhe um bálsamo quando este foi ferido no Serviço de Incêndios. Durante o ano 1965, Gerard Heym disse a Sra. Colqhoun que um de seus amigos, de 95 anos de idade, bebeu ouro potável dado por Cockren obtendo um grande beneficio; seu efeito foi prolongar sua vida e sua juventude. De acordo a Sra. Colqhoun, Archibald Crockren foi morto durante a Segunda Guerra Mundial quando uma bomba destruiu o seu laboratório; mas de acordo a C.R. Cammel, Cockren sobrevivou ao “impacto” da guerra em seu laboratório que estava protegido. Cammel diz que “quando o seu laboratório foi arruinado por uma explosão de uma bomba próxima, as retortas, recipientes, os elixires, em todos os estados de transmutação, não foram danificados – o que pareceu ser um milagre, e de fato o foi”. De acordo a Cammel, Cockren se mudou a Brighton “onde no umbral de um triunfo final (descobrir a Pedra Filosofal), morreu faz alguns anos, ao redor de 1950”.

Cammel afirma que “Cockren lhe deu em vários momentos dos frasquinhos de um elixir de ouro, sendo as doses umas poucas gotas tomadas com vinho”. Cammel diz: “O beneficio para mim foi incrível. No período mais terrível do ataque aéreo alemão em 1940, quando estava constantemente ocupado no trabalho de Precaução de Ataque Aéreo, este elixir me exaltou tanto, que quando o tomava, experimentava pouca fatiga ou depressão nervosa, necessitava pouco sono ou comida, e sentia e me via mais saudável e vigoroso”.

Esta descrição dos efeitos da tintura de ouro é bastante exata, como eu posso testemunhar por minha própria experiência  de ter tomado umas gotas de ouro potável dadas a mim pelo Irmão que me iniciou na F.A.R.+C.

Mas a parte principal da tradição alquímica da Alpha Omega está preservada nos arquivos de nosso templo Ahathoor que contem papeis muito valiosos e únicos, especialmente a famosa e a antiga obra alquímica de Abraham Eleaza, cujo nome é Sepher Há-Iorah (em hebraico), publicado em alemão em 1735 e traduzida ao inglês pelo frater In Cornu Salutem Spero (William Sutherland Hunter) e ao francês pela Soror Semper Ascendere (Mne Voronof), Praemonstratix do templo Ahathoor em 1935. O processo alquímico descrito no Sepher Há-Iorah é similar ao descrito no Segundo Livro do Thesaurus Thesaurorum, um Testamento Fraternitate Rosae et Aureae Crucis, e também no Sigilum Secretorum ou Magnalia Dei Optimi Maximi, traduzido do latim ao Inglês pelo Frater Deo Duce Comite Ferro (S.L. MacGregor Mathers), o qual também está guardado em nossos arquivos.

Tive a boa sorte de descobrir outra muito estranha e bela copia francesa do Sepher Há-Iorah copiada e ilustrada em cores pela mão mestra do próprio Eliphas Levi. De acordo a uma nota de Eliphas Levi, sua copia do livro foi feita do original (suposto original de Abraham o judeu e descoberto por Nicolas Flamel!). Eliphas Levi escreveu que o livro original pertenceu no passado ao famoso alquimista francês Duchanteau (um membro da Rosa+Cruz Dourada). O original parece ter sido escrito em hebraico; de qualquer forma a copia de Eliphas Levi está cheia de palavras hebraicas… Eliphas Levi ofereceu e dedicou esta copia ao seu protetor o Conde de Mniszech, quem também foi um alquimista e amigo de Lord Bulwe Lytton. Na realidade, esta maravilhosa copia de Eliphas Levi pertence a um colecionador privado que também é membro de uma fechada Sociedade Hermética de Paris.

Entre outros papeis muito valiosos e preservados nos arquivos do Templo Ahathoor, devo também citar:

“A Edade Dourada Revivida de Mathadanus” (Conde Adrian Mynsicht – 1621) um manuscrito traduzido e escrito pelo frater DDCF. Mathers adicionou ao final de sua tradução a seguinte nota significativa:

“Este trabalho tardio está reproduzido em parte do Livro manuscrito dado pelos Chefes Segredos do Circulo Interno dos Rosacruzes ao Magus Supremo da Ordem da Rosa e a Cruz Dourada no Externo, e em bom cuidado. Os Rosacruzes dos mais altos graus do Externo sabem a que livro me refiro e é somente por seu beneficio que eu faço esta alusão”.

“Le Tresor des Tresors ou comment on peut ramener les corp a leur matiere première dans le but d´obtenir leur generation ou leur multiplication”. Este manuscrito foi atribuído a Francois Borri, um alquimista italiano que foi o mestre da Rainha Cristina de Suécia. Este manuscrito foi traduzido e transcrito pela Soror Semper Ascendere o 20 de julho de 1926. De acordo a uma nota escrita pela Rainha Cristina ao final do manuscrito, ela teve êxito na grande Obra. A via praticada é similar a de Synesius.

Um análise do Manuscrito Z.2 sobre Alquimia

Agora tratarei de analisar o documento Z.2 bastante notável porque é um dos poucos escritos de Alquimia que explicam do ponto de vista pratico a relação entre  Magia, Alquimia e Astrologia. O processo alquímico operativo neste manuscrito Z.2 é bastante teórico.

De fato, na alquimia pratica real, a eleição da Matéria Prima frequentemente determina o tipo de via a ser seguida: seca ou úmida. Por exemplo, os metais muito duros como o ferro não podem ser tratados do mesmo modo que os macios tais como o mercúrio: é uma questão relativa ao ponto de fusão dos metais. Assim, as operações técnicas da via seca possuem alguma analogia com a metalurgia enquanto aquelas da vida úmida usam recipientes de vidro como na química. Além disso, existem vários processos diferentes na via seca ou úmida, não só de acordo ao tipo de Matéria Prima escolhida mas também quando se usa uma matéria especifica. Por exemplo, na “Via Antimonial” (que é via seca) existem muitos processos variados. Inclusive mais complicada é a “Via Magnésia”, geralmente uma via úmida. Mas na qual é possível também trabalhar de acordo com o processo da via seca!

É interessante saber que o processo alquímico descrito no famoso documento Z.2 pertence essencialmente a vida úmida. Esta via e mais longa e perigosa. A via úmida usa destilações em uma cucúrbita de sustâncias liquidas a baixas temperaturas; a via seca usa cresóis, sustâncias secas e altas temperaturas. Ainda assim, o documento Z.2 começa com a via úmida e termina com a via seca. É notável que o processo de Bacstrom é precisamente o oposto; começa com a via seca (com o crisol) e termina com uma cocção feita com a via úmida (um recipiente de vidro). De fato, existe às vezes uma ponte entre as duas vias que é uma das principais dificuldades para alguém que quer estudar alquimia.

O exame dos diferentes passos alquímicos descritos no Z.2 exibe certos erros, especialmente referentes ao “Regime dos Planetas”, de fato, a ordem descrita no manuscrito é o seguinte: Saturno – Lua- Sol- Marte – Mercúrio – Júpiter – Venus. A sucessão planetária tradicional descrita em todos os tratados alquímicos é de fato: Mercúrio –  Saturno – Júpiter – Lua – Venus- Marte – Sol. Na verdade esta é a ordem da sucessão das cores durante a cocção, que é sempre o ponto final da Grande Obra. Os antigos descreviam as cores cambiantes da matéria de acordo as antigas atribuições astrológicas das cores dos planetas. Assim, Mercúrio é simbolizado por várias cores; Saturno preto, Júpiter cinza; Lua branca; Venus verde, Marte vermelho e Sol dourado. Mas não devemos esquecer que a escala planetária de cores da Golden Dawn, e a “Escala do Arco Iris” é diferente; assim tomando a ordem planetária descrita no documento Z.2 obtemos a seguinte sucessão de cores: índigo- azul – laranja – vermelho – amarelo – violeta – verde. Esta não é a sucessão absoluta de cores da grande cocção.

Outra discrepância do documento Z.2 com outras obras alquímicas operativas secretas refere-se a exposição de matéria à luz do sol e da lua, as sequencias não são corretas. Ainda assim, o simples fato de que este processo é dado prova que o autor do documento Z.2 estava bem instruído nos mistérios da alquimia, porque esta identificação nunca me foi revelada nos textos publicados (muito embora estivesse frequentemente ilustrada em várias gravuras). De fato, a ação da luz sobre a matéria, e sobre todo, como e quando deve ser aplicada é um dos segredos principais que os Filósofos revelam, somente a seus alunos depois da devida iniciação e sob juramente. Fulcanelli deu uma definição muito boa de alquimia como “a arte da transmutação da matéria pelo poder da luz”.

Finalmente, podemos observar que no processo descrito no documento Z.2, o alquimista obtém um óleo e um pó mas, na Grande Obra, óleo e pó estão sempre unidos mediante o longo processo chamado “imbibições” até que se obtém um pó vermelho ou tintura (O Leão Vermelho).

Assim, concluímos que o processo descrito no Z.2 não se refere a criação da Pedra dos Filósofos, senão que é mais um “processo particular”, por exemplo tal como a extração do sal e óleo (ou azufre) de um metal o planta. Uma das características mais interessantes do Z.2 sobre alquimia é que os rituais mágicos estão relacionados com o processo alquímico. De fato, este tipo de informação está sempre em falta nos textos alquímicos clássicos. Ainda assim, uma das únicas instruções mágicas concernentes a alquimia que pode encontrar (exceto o manuscrito Z.2) está num texto secreto comunicado a mim pelo Colégio Interno da Fraternidade da Rosa+Cruz, e intitulado: “Testamenti Fraternitatis Rosae et Aureae Crucis- Liber II; De Magia Divina et Naturali, cum Chymico-Magicae Secretorum”.

O processo descrito neste documento é uma pratica alquímica interna usando “Ouro potável” relacionado com a evocação das Sete Inteligências Planetárias e do Anjo guardião do Artista. Deve ressaltar-se que todas estas praticas mágicas, ou melhor, teúrgicas, foram sempre possíveis ao longo do conseguir a Pedra dos Filósofos, que era usada como um tipo de “imã astral” para atrair entidades espirituais.

Os Adeptos que me deram essas instruções secretas e enfatizaram o fato de que ninguém poderia praticar Magia de modo seguro sem ter obtido antes a Pedra dos Filósofos e ter sido regenerado por seus poderes. De fato, um Adepto Inglês me disse que de acordo a seus próprios experimentos, a Pedra dos Filósofos poderia despertar em grande medida as faculdades de premonição, as quais poderiam ser uteis para se comunicar com seres espirituais durante uma evocação mágica.

Deve saber-se que a ingestão da Pedra dos Filósofos ou do Ouro Potável pode ser perigosa para pessoas não preparadas, porque estas sustâncias despertam o que os antigos Adeptos Rosacrucez chamavam “os fogos sutis do corpo” (a kundalini) e causam um grande aumento do poder sexual que é muito difícil de controlar. Se o aluno não está corretamente preparado, o elixir poderia causar todo tipo de problemas em sua vida privada; poderia ser escravizado por suas paixões e incapaz de controlar e dirigir esta nova energia. Se não souber como sublimar o poder do “fogo secreto” de sua kundalini esta energia será gasta em atividades ou pensamentos puramente sexuais. Em outros casos, este “fogo” poderia subir até o cérebro e causar varias alucinações. Se a emente do aluno não esta suficientemente purificada poderia ver monstros como Glyndon em Zanoni, a famosa novela de Bulwer Lytter. Geralmente, o elixir causa uma grande eliminação “karmica”, especialmente no que se refere a vida amorosa do aluno.

Esta é a razão pela qual os Adeptos nunca dão o Elixir, o ouro Potável a alunos não preparados e pessoas jovens, senão a alunos experimentados, de ao menos 40 anos de idade e só depois de 7 anos de treinamento. Este treinamento se refere em certo modo a algumas praticas “tântricas” (longe da “magia sexual” de Aleister Crowley). De fato, o Colégio Interno da Rosa+Cruz Dourada conhecia este tipo de praticas, mas os Adeptos temiam que pudesse ser mal usadas. Outra parte deste treinamento mágico é um tipo de “yoga” que implica meditação na luz do sol e da lua com espelhos mágicos. Claramente, MacGregor Mathers sabia algo sobre estas praticas secreta (que só são reveladas no grau de Exempti) porque recebeu o corpus operativo da Rosa+Cruz Dourada e especialmente os comentários segredos sobre as Clavículas Salomônica e Mosaicas.